Este romance reproduz a mundividência das terras nortenhas e aproxima o texto ficcional da realidade narrada, numa Beira rural e analfabeta ancorada numa sociedade patriarcal. Misturando erudição com a linguagem popular, Aquilino capta esse ambiente arreigado na religiosidade e na crendice e revela o instinto camponês com todas as superstições e todos os subterfúgios associados à obsessão de propriedade.

Crónica romanceada assim chamada pelo autor, e que o é. Três séculos de uma casa grande, apalaçada, como há muitas pelo Minho, esta em terras de Coura. Crónica que é como uma novela esticada, quase argumento televisivo, onde paixões, temores, loucuras e desagravos se sucedem, página após página. Moral da história existirá e é a casa, que cresce e se arruína ao som dos desvarios de senhorio. É Aquilino mestre na enunciação dos quereres e das paixões, pois por aqui se movem os seus artistas, sem parar. Análises profundas do humano, psicologismo estendido não se encontra, personagens desenhados em duas, três pinceladas.

Fonte: Bertrand

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